Nesta postagem, vamos montar uma tier list com estilos de pintura importantes da cultura ocidental. São vinte estilos diferentes apresentados em ordem cronológica. Tier list é uma forma de classificação em faixas, da melhor para a pior. Usaremos cinco faixas: de A até E. Fique à vontade para comentar se concorda ou não com nossa classificação.
Veja a análise em vídeo
Gótico

O estilo gótico se desenvolveu no final da Idade Média e se expressava por meio de afrescos, painéis, tapeçarias, iluminuras e vitrais. Era usado principalmente com fins didáticos: retratava narrativas bíblicas para uma população majoritariamente analfabeta.
Detalhes que chamam a atenção do público atual incluem as auras nas cabeças de figuras santas, o tamanho exagerado das figuras sagradas em comparação às pessoas comuns, a representação de crianças como “mini adultos” e o uso generoso do dourado nas pinturas.
Por ficar restrito à função pedagógica religiosa e por ainda não contar com os avanços técnicos que viriam no Renascimento o gótico entra na categoria C.

Renascimento

O Renascimento foi um período de intensa criatividade e inovação, marcando a transição da Idade Média para a Idade Moderna. A pintura renascentista é humanista: valoriza o ser humano e retrata com realismo as proporções do corpo, mesmo em cenas religiosas.
Os mestres do Renascimento dominaram técnicas como a pintura a óleo, a perspectiva e o claro-escuro, criando composições harmônicas e sofisticadas. Seus temas retomam a cultura clássica e transmitem valores como serenidade, maternidade, fraternidade e elevação espiritual.
Por tudo isso, sem medo de errar, o Renascimento vai direto para a categoria A da nossa tier list.

Barroco

O barroco surgiu no século XVII na Europa no contexto do Absolutismo e da Contra Reforma e foi usado pela Igreja Católica para atrair o povo de volta à fé. É um estilo intenso, realista, dramático, vibrante, teatral e exuberante.
Caravaggio, grande mestre do Barroco, dominava a técnica do claro escuro. Suas pinturas com luz teatral, movimento e emoções fortes mostravam cenas bíblicas por vezes violentas. Esse estilo dramático também é usado nas cenas mundanas que retratam a mitologia, a nobreza e as pessoas comuns.
Arte intensa e exuberante que entra na tierlist na categoria A.

Rococó

Este estilo surgiu em Paris por volta de 1700 no meio aristocrático. É um estilo leve, elegante, emotivo, intimista, hedonista e sensual próprio para uma época de estabilidade e prosperidade em que a aristocracia patrocinava as artes. Usa cores claras, suaves, femininas e retrata a dolce vita da aristocracia europeia. Também foi usado na decoração de igrejas e palácios em uma concepção de arte total onde a pintura se integra à arquitetura e decoração.
Em alguns casos, esse estilo focou demais em frivolidades da aristocracia que retratava e, por isso vai para a categoria B.

Neoclassicismo

O neoclassicismo surgiu em meados do século XVIII refletindo uma sociedade menos religiosa, mais receptiva à Ciência e às ideias democráticas. É um estilo mais despojado que recupera valores da Antiguidade clássica como racionalidade, nobreza, valores morais elevados, beleza objetiva e civismo. O neoclássico é acadêmico no sentido de cultivar o domínio rigoroso da técnica. Os temas desse estilo em geral são mitológicos e históricos. Com frequência retrata corpos nus idealizados.
Neoclassicismo é arte elevada e nobre. Categoria A em nossa tierlist.

Romantismo

O romantismo é um movimento heterogêneo marcado pelas emoções intensas, pela irracionalidade e pelo individualismo. Pintores românticos retratavam a imensidão majestosa e sublime da Natureza, eram fascinados pelo desconhecido, pelas terras exóticas. Alguns apreciavam a simplicidade da vida no campo, outros eram levados pelo ímpeto revolucionário heroico. Alguns românticos defenderam o nacionalismo, outros eram levados pelo misticismo, às vezes eram melancólicos e solitários, mas todos tinham uma energia juvenil intensa e apaixonada.
Esta imaturidade emocional coloca o romantismo na categoria B.

Realismo

O realismo surge na Europa em meados do Século XIX e reflete as transformações sociais da Revolução Industrial. A proposta dos realistas é retratar a vida das pessoas comuns, em especial trabalhadores, um tema que consideravam desprezado por escolas anteriores. As telas realistas usam uma paleta de cores mais sóbrias e terrosas e mostram pessoas simples, sem idealização, em atividades sem glamour enfatizando as dificuldades da vida do trabalhador pobre. É inegável a preocupação social desta escola que se propôs a mostrar a vida como ela é.
Apesar do nome, o realismo retrata o povo pelas lentes da utopia socialista e fica na categoria B em nossa tier list.

Academismo

Em sentido amplo, arte acadêmica é aquela em que o artista estuda em academias, dá grande valor ao estudo árduo da técnica e dos mestres do passado. Como escola de pintura, porém o academismo teve seu auge no Século XIX. Os pintores acadêmicos retratavam culturas exóticas, História e mitologia em cenas emotivas de apelo popular. Foram criticados pelos modernos por falta de inovação e ousadia, mas tem sido revalorizados em tempos recentes, talvez pelas cenas idealizadas e agradáveis capazes de atingir audiências amplas.
O formalismo e o virtuosismo desta escola são seu ponto forte, mas a falta de uma conexão com as questões da época a colocam na categoria C.

Simbolismo

O movimento simbolista teve seu auge no final do século XIX e é marcado pelo fantástico, onírico, sugestivo, místico, oculto e subjetivo. Nesse sentido, é uma reação à objetividade de outras escolas da época. Às vezes esotérico, outras aterrorizante, esta escola aborda temas como morte, desejo, transcendência e o mundo além físico. Os simbolistas formavam um grupo heterogêneo, eram focados na estética, defendiam a arte pela arte, que para eles não precisava ser comprometida com questões objetivas da realidade.
O simbolismo é em certa medida escapista e vai para a categoria C em nossa tierlist.

Impressionismo

O impressionismo surgiu na França no final do Século XIX e trouxe inovações na forma de pintar. Eles preferiam pintar ao livre, não se preocupavam com contornos definidos, usavam pinceladas rápidas, espontâneas e misturavam as cores diretamente na tela. É uma pintura de cores vibrantes que capta as variações contínuas da luz no ambiente. O impressionismo retrata a Belle époque, seus temas são leves e mostram flagrantes da vida de pessoas comuns em atividades cotidianas.
A leveza e alegria são o forte do impressionismo, mas é a primeira escola a romper com o rigor acadêmico, então é categoria B na tier list.

Pós impressionismo

Não se trata de uma escola, mas de um grupo de pintores que fizeram a ponte entre o impressionismo e a arte moderna do século XX. Eles não tem compromisso com a pincelada precisa ou contornos bem definidos. São radicais no uso de cores vibrantes sem se preocupar com naturalidade. Alteram as proporções dos objetos e cada um segue com seu estilo personalíssimo.
Inovadores, mas em uma zona de transição entre o tradicional e o moderno. Mesmo com a presença de Van Gogh no grupo, capaz de desequilibrar qualquer lista, o pós-impressionismo fica na categoria C.

Expressionismo figurativo

Em sentido restrito o expressionismo foi um movimento de vanguarda alemão do início do Século XX, mas em sentido amplo expressionismo é um estilo transversal presente em vários períodos, especialmente no século XX. É uma arte de questionamento existencial, que trata de solidão, irracionalidade, angústia, agressividade e revolta. O expressionismo mostra o lado sombrio da existência e isso se reflete em cores mais escuras, deformidades, desordem e ruído.
O expressionismo é autêntico e visceral, mas sombrio. Categoria C na tier list.

Surrealismo

Influenciados pela psicanálise de Sigmund Freud os surrealistas buscavam a expressão do inconsciente. É um estilo irracionalista que agrupa imagens aparentemente desconexas em arranjos absurdos, com distorções e composições surpreendentes. As telas surrealistas sugerem uma atmosfera de sonho onde não vigoram as leis ordinárias do bom senso. Por vezes, o surrealismo trata de impulsos reprimidos e questões próprias da psicanálise.
Surrealismo é uma viagem estética experimental. categoria C.

Cubismo

O cubismo teve Cézanne como precursor. Cézanne pintava paisagens tratando-as como formas geométricas cúbicas, cônicas, cilíndricas. Os cubistas foram além e se propõem a retratar três dimensões na tela plana. Fazem uma montagem em que cada parte da tela mostra um ângulo diferente do objeto retratado. Dessa forma, passam a ideia de realidade multifacetada e ao mesmo tempo fragmentada.
O cubismo fragmenta a realidade em cacos e produz figuras monstruosas. Vai para a categoria D na tierlist.

Dadaísmo

O dadaísmo rompe barreiras nas artes plásticas antecipando a arte conceitual. A fonte de Duchamp não é pintura nem escultura, é um objeto cotidiano trazido para uma exposição de arte. Irreverentes, experimentais, provocativos, debochados, agitadores culturais, os dadaístas testam os limites da arte e do público.
Dadaísmo está mais para provocação cultural do que para arte. Categoria E na tier list.

Primitivismo

Vamos chamar de primitivismo um estilo que busca inspiração nas culturas tradicionais, na arte de povos ditos primitivos e até na arte produzida por crianças. No século XX surgiu a expressão arte naif ou arte ingênua para designar o trabalho de artistas autodidatas sem passagem pela academia. É arte em busca de simplicidade, pureza e ingenuidade.
Pela ingenuidade e autenticidade categoria C na tier list.

Abstrato geométrico

O abstracionismo geométrico cria composições abstratas com elementos geométricos como círculos, retângulos e linhas. É um estilo racionalista e intelectual, sem preocupações de retratar dramas humanos, pois foca nas formas, nas cores e na composição. No geral, esse estilo transmite uma energia positiva de harmonia e equilíbrio.
Abstrato geométrico tem sua beleza, mas é restrito demais na proposta. Categoria D.

Pop art

Criada na segunda metade do Século XX a pop art retratava a chamada cultura de massas. Inspirava-se na publicidade, no design industrial e até em histórias em quadrinhos. Adotava a estética kitsch ou cafona da sociedade de consumo inaugurando a visão pós-moderna de que tudo é relativo, logo tudo pode ser objeto de arte.
Pop art assimila a cultura pop em vez de critica-la. Está na categoria D.

Expressionismo abstrato

Originado nos Estados Unidos na segunda metade do Século XX o expressionismo abstrato é subjetivo, agressivo e gestual. Uma de suas técnicas é a action painting onde o pintor respinga tinta sobre uma tela no chão. Outros pintores abstratos preferem criar campos de cor na tela com contornos indefinidos.
Uma pintura que parece terapêutica para quem a pinta. Categoria E na tier list.

Minimalismo

Estilo que ganhou força a partir da década de 1960. Os minimalistas usam formas geométricas e cores vivas em composições simples, mas harmoniosas. Em muitos casos, vão além da tela retangular criando obras tridimensionais. Menos informação, menos ruído, simplicidade, harmonia, abstração e positividade são características desse estilo.
Otimista e decorativo, mas restrito. O minimalismo é categoria D.

Quadro resumo



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