Vamos apresentar 18 escalas e jornadas de trabalho. Começaremos da mais suave para a mais pesada. Assista para entender a complexidade do mercado e depois responda: qual é a jornada de trabalho ideal?
Veja a análise em vídeo:
Escala 4×3
8h/dia e 32 horas semanais geralmente em horário comercial. Em alguns países como Islândia, Bélgica, Nova Zelândia e Reino Unido há experiências com essa escala. O modelo é adotado em caráter experimental em alguns setores da economia. Os resultados por enquanto são mistos e ainda é cedo para uma avaliação definitiva.

Escala 4,5 x 2,5
Nesta escala de 36 horas semanais, trabalha-se 8h diárias de segunda a quinta e quatro horas na sexta-feira, por exemplo. A França é o país mais lembrado neste caso, pois estabelece uma jornada oficial de 35 horas semanais. A média francesa efetiva, porém, se aproxima de 40 horas semanais. Isso indica que na prática, a maioria dos franceses continua trabalhando um pouco mais que o limite. Alguns países desenvolvidos como Holanda, Dinamarca e Canadá mantém jornadas médias semanais efetivas próximas de 36 horas.

Escala 5×2
Com jornada de 8h diárias e 40 horas semanais. Escalas 5X2 são adotadas pela maioria das empresas. Basta observar o trânsito e a lotação do transporte público para perceber que boa parte da população trabalha nesta escala. No Brasil, é a escala oficial de trabalho após a aprovação pelo Congresso Nacional da PEC 221/19. Vale lembrar que o horário pode ser diferente do comercial as folgas não precisam acontecer no sábado e domingo. Há regras específicas para isso.

Escalas descontinuadas
A PEC 221/19 prevê o fim de algumas escalas comuns. Nesta categoria está a escala 5×2 com jornada de 8h48min totalizando 44 horas semanais. Esta jornada 5×2 um pouco mais longa é comum, mas será extinta gradualmente com a nova PEC. Também será extinta a escala 5,5 x 1,5. Aquela com 8h diárias de segunda a sexta e 4h no sábado totalizando 44 horas semanais. Esta escala comum no comércio será extinta com a nova PEC. O terceiro caso que será extinto é o da escala 6×1 com jornada diária de 7h20 de segunda a sábado.

Escala 6×2
Esta é uma escala com horário fixo que não segue ciclo semanal. O funcionário trabalha seis dias e folga dois de forma contínua. As folgas acontecem em dias da semana variáveis. Adotada por empresas que trabalham todos os dias como farmácias, supermercados, postos de combustível etc. Existem outras escalas similares que não seguem ciclo semanal como 2×2, 4×2, 5×1 etc. A ideia neste caso é garantir o funcionamento contínuo em sábados, domingos e feriados. Vamos lembrar que a jornada pode acontecer em período noturno. Nesse caso, o trabalhador enfrenta as desvantagens que o trabalho à noite traz para a saúde e para o convívio social.

Revezamento de folguista
Em algumas empresas onde o trabalho é contínuo como portarias de condomínio adota-se a escala com folguista. Cabe ao folguista cobrir as folgas dos demais funcionários. Escala com horários e dias variáveis.

Turnos de revezamento contínuo
Empresas que funcionam continuamente como refinarias de petróleo e siderúrgicas adotam turnos de revezamento. A legislação prevê 6h diárias e 36 horas semanais para esta escala, mas extensível a 8h diárias com acordo coletivo. O funcionário trabalha alguns dias no período matutino, depois passa para o vespertino e finalmente para o noturno. O ciclo se repete continuamente. O principal inconveniente dessa escala é o prejuízo ao sono e a desorganização da vida social do trabalhador.

Revezamento 24h x 72h
Este revezamento envolve uma jornada contínua de 24 horas seguida de três dias de descanso. É adotada por policiais rodoviários, por exemplo, que tem que se deslocar da casa até o local de trabalho que fica distante da cidade. Existem variações similares mais cansativas dessa escala como a 24×48.

Revezamento 12h x 36h
Nesta escala o trabalhador atua por doze horas, folga 36 horas e volta ao trabalho. Escala comum na área de segurança.

Casos especiais de jornadas
Vamos falar agora sobre casos especiais envolvendo jornada de trabalho:
Horário comercial flexível. Algumas empresas admitem flexibilidade nos horários de entrada e saída. Por exemplo: o funcionário pode iniciar a jornada entre 8h e 9 da manhã. Basta que cumpra as oito horas diárias. Logo seu horário de saída também é variável.
Compensação de feriado prolongado. Quando o feriado cai na terça, por exemplo, a empresa pode propor a compensação da segunda feira. Nesse caso, os funcionários trabalham um pouco mais por dia para compensar o feriado esticado.
Home office. O trabalho em casa pode seguir a escala do trabalho presencial. O acompanhamento da atuação pode ser feito com soluções digitais de monitoramento. Também é possível o acordo para trabalho por tarefa em que não se exige controle de horários.
Jornada dividida. Em algumas profissões se adota o trabalho em duas jornadas diárias. Por exemplo: o garçom que serve os clientes no almoço, faz uma pausa longa e retorna para o serviço de jantar.
Jornada por tarefa. Aqui a jornada de trabalho se encerra quando o serviço é concluído respeitados os limites máximos da legislação. Exemplo é a coleta pública de lixo. Concluída a coleta, a equipe pode ir para casa.
Cargo de confiança. Trabalhador em função gerencial, geralmente, não faz marcação de horário trabalhado. Não recebe hora extra, mas tem flexibilidade de horário baseada na confiança.
Plantão de sobreaviso. Em algumas profissões, é possível receber para ficar disponível caso haja uma emergência. Condição típica para profissionais de manutenção que precisam atender prontamente chamados emergenciais.
Horário distribuído. É o caso dos professores que trabalham em horários espalhados definidos pela agenda de uma ou mais escolas.
Jornadas longe de casa. É o caso do trabalho em plataformas de petróleo, em transportes rodoviários, na aviação entre outros. Nesse caso, a jornada diária pode ser longa e quando o expediente encerra o trabalhador está longe de casa com prejuízo para a vida pessoal.
Jornada sob demanda. Aqui entramos no caso dos autônomos e empresários. Estes profissionais não estão cobertos pela CLT e trabalham de acordo com a demanda. A escala é totalmente flexível.
Considerações
Vale lembrar que escalas oficiais não proíbem trabalhar mais. Elas apenas encarecem o trabalho além dos limites legais. Por exemplo: um lojista que vende bem no sábado de manhã terá que pagar hora extra aos vendedores quando a escala 5×2 entrar em vigor.
E agora chegamos à pergunta fundamental: Qual é a melhor escala de trabalho? Melhor para quem? Dirão alguns. Para e economia em geral, é interessante que a escala oficial não prejudique a produção do país. Uma escala muito suave faz a economia perder competitividade para outros países. Escalas suaves podem funcionar em economias ricas e de alta produtividade, mas são um entrave para o desenvolvimento do país que ainda precisa melhorar seus indicadores.
Pensando no trabalhador, a escala não deve ser exaustiva considerando idade, sexo e condição física. Deve permitir a harmonia entre vida familiar, crescimento profissional e financeiro. Um pai de família estabelecido, talvez prefira uma escala mais tranquila para ter mais tempo com os filhos. Um jovem solteiro talvez prefira trabalhar mais para crescer profissionalmente e formar patrimônio. A flexibilidade é boa para todos. Obrigado por assistir e até a próxima.


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