Nesta postagem vamos fazer uma análise comparativa das seis principais fontes de energia para decidir qual é a melhor. A energia dos combustíveis fósseis representa 76% do consumo global. Estão incluídos nesse grupo o petróleo, o carvão natural e o gás natural. A energia de biomassa responde por 6,7% do consumo mundial. É o grupo dos biocombustíveis como etanol e biodiesel. A terceira fonte é a hídrica que gera energia elétrica pela força da água. Atende 5,8% da produção mundial. A energia nuclear gera energia elétrica pela fissão de material radioativo e responde por 3,7% do consumo global. A energia eólica gera eletricidade com vento e fica em 3,3%. A eletricidade produzida com luz do sol chega a 2,7% da produção mundial.
Veja a análise em vídeo
As seis dimensões
O debate atual sobre fontes de energia costuma ficar restrito à questão ambiental. Aqui vamos adotar uma abordagem mais abrangente e considerar seis dimensões importantes. Primeiramente, a dimensão ambiental de inegável importância. Temos que considerar a renovação. A fonte é renovável ou se esgota? A dimensão da segurança considera riscos ambientais e humanos. A escalabilidade considera se a fonte pode ser expandida até se tornar dominante. A disponibilidade considera se a fonte é contínua, 24/7, sazonal ou intermitente e imprevisível. Por fim, temos a dimensão geopolítica que envolve os fatores políticos da adoção de uma fonte de energia.
- Ambiental
- Renovação
- Segurança
- Escalabilidade
- Disponibilidade
- Geopolítica

Ambiental
Comecemos pela dimensão ambiental onde cabem várias perguntas.
A fonte lança muito gás carbônico na atmosfera? Nesse quesito, os combustíveis fósseis estão na pior condição. A queima de petróleo, carvão e gás natural despeja gás carbônico em definitivo na atmosfera. Vamos lembrar que a biomassa também gera CO2, mas aí temos ciclo fechado. O etanol queimado no motor do carro gera CO2 que será capturado do ar novamente na safra seguinte de cana. Assim o ciclo se repete a cada ano em ciclo fechado.
A poluição do ar preocupa e quem mais polui, nesse caso são os fósseis e a biomassa. Felizmente, esse problema pode ser reduzido bastante com adoção de boas práticas industriais e legislação ambiental rigorosa.
A geração de resíduos é mais preocupante na energia nuclear. Apesar de gerar quantidade reduzida de lixo radioativo, é um material que precisa ser armazenado com segurança e monitoramento por muito tempo.
Ocupação de solo é problema sério para a energia de biomassa e hídrica. Para produzir etanol temos que plantar cana e ocupar grandes áreas de terra competindo com a agricultura de alimentos. As usinas hidrelétricas geram alagamento de grandes áreas.
A degradação de biomas é um problema a levar em conta. As fontes que ocupam solo são as que mais degradam o ambiente.

Renovação
Energia renovável é uma necessidade econômica, mais do que ambiental. Nessa dimensão os combustíveis fósseis e a energia nuclear estão na faixa vermelha. Fósseis são extraídos do subsolo e a energia nuclear depende de minerais radioativos escassos.

Segurança
A dimensão da segurança tem a ver com meio ambiente e com tragédias humanas. O primeiro risco é o de acidentes de grande porte. Nesse caso, a energia nuclear é a pior. Basta lembrar de tragédias como Chernobyl, Fukushima e Three Mile Island.
Desastres menores, mas numerosos também são problema. Nesse caso, os combustíveis fósseis tem um histórico de acidentes em minas de carvão e vazamento de óleo de petroleiros entre outros.
Pensando nos riscos para os trabalhadores, os combustíveis fósseis oferecem mais riscos, pois é trabalho que envolve altas temperaturas, alta pressão, inflamáveis e produtos tóxicos.

Escalabilidade
Até o momento, os combustíveis fósseis são a principal fonte de energia e poderia ser ampliada mais ainda. A energia hídrica tem expansão limitada pelo esgotamento do potencial hidráulico já devidamente explorado. A energia nuclear é limitada pela escassez de minério radioativo. Estima-se que as reservas de urânio dão para 100 anos mantendo o consumo atual.
Algumas fontes oferecem facilidade de estocagem. Eólica e solar são problemáticas porque é preciso consumir a energia na hora em que é gerada. Ainda estão em desenvolvimento soluções de estocagem.
Transporte. É preciso investimento para levar a energia do ponto de geração até o ponto de consumo. Energia nuclear e hídrica geram quantidades elevadas e torna-se viável construir caras linhas de transmissão. Para a energia eólica e solar, o transporte para longas distâncias é menos viável. A vocação nesse caso é para produzir perto do ponto de consumo.
Competição com outros usos é uma questão a considerar. A produção de etanol, por exemplo, compete com a produção de alimentos. Inundar áreas agricultáveis para gerar energia elétrica requer uma análise de custo-benefício.
Quanto à geração distribuída: a energia solar e eólica são mais promissoras. Pequenas usinas espalhadas atendem pequenas demandas.

Disponibilidade
O ponto fraco das energias eólica e solar é a intermitência. Só geram energia quando há vento ou sol. Para ter segurança de abastecimento 24/7 é preciso combina-las com fontes contínuas.

Geopolítica
O fornecedor da energia é confiável? Basta acompanhar o noticiário para entender que os combustíveis fósseis são sujeitos a instabilidades políticas.
A energia nuclear envolve tecnologia sensível controlada por poucos e que pode ser usada para fins não pacíficos.
Algumas fontes contam com uma infraestrutura estabelecida e tecnologia dominada. As fontes eólica e solar ainda estão em desenvolvimento.

Ranking
São 18 quesitos considerados. Selo verde vale um ponto, amarelo é neutro e vermelho vale menos um. Para melhor análise demos pesos mais altos para alguns itens. A emissão de carbono, por exemplo, ganhou peso três. A pontuação pode variar de -30 a +30.

A fonte melhor avaliada é a hídrica com 11 pontos. Na sequência temos eólica 10 pontos, biomassa 8, fóssil 8, solar 6 e nuclear 0. Mas atenção: observe que todas as fontes alcançaram pontuação positiva numa escala que vai de -30 até +30. Todas as fontes estão aglomeradas no meio da escala. Nenhuma desponta como campeão absoluta. E há outras dimensões desconsideradas em nossa análise. A realidade é que nenhuma fonte pode ser desprezada Precisamos de todas se quisermos manter o padrão de civilização que alcançamos.


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