Vamos analisar dez tribos urbanas que marcaram época começando na década de 1950 até chegar aos dias recentes. Qual é a sua tribo urbana? Com qual você mais se identifica?
Rockabillies

O rockabilly é o rock dos primeiros tempos surgido nos anos 1950. Vamos emprestar o nome para identificar uma tribo daquela época que vestia jaquetas de couro, camisetas e calça jeans. Os rapazes usavam topete fixado com brilhantina, mascavam chicletes e tinham fama de rebeldes. As moças usavam saia rodada e óculos gatinha. Eram tempos otimistas marcados por desenvolvimento econômico, científico e tecnológico. Os tempos austeros do pós guerra tinham ficado para atrás, a população jovem crescia rápido e tinha poder aquisitivo e, por isso, tornou-se o alvo principal da publicidade. Os rockabillies eram irreverentes, informais, inquietos e contestavam os costumes. Na literatura, foi a época dos beatniks que propunham um estilo de vida livre e com o pé na estrada. No cinema, James Dean representava o jovem desajustado e transgressor em filmes como Juventude Transviada e A leste do Éden. Na música, Elvis Presley escandalizava a sociedade com uma música energética e performance sensual. Em resumo, os rockabillies desafiaram a austeridade dos tempos pós guerra com a irreverência juvenil.
Hippies

Os hippies movidos pelo lema Paz e Amor surgiram na década de 1960 nos Estados Unidos. Viviam em comunidades nômades, faziam amor livre, consumiam substâncias ilícitas, eram ambientalistas, anticonsumismo, pacifistas, místicos, nudistas e além. Os hippies americanos eram contra a guerra do Vietnã e a guerra fria em geral. Abraçavam vários aspectos de religiões orientais como hinduísmo e budismo além de religiões xamanistas indígenas. Artistas como John Lennon e Janis Joplin praticaram e divulgaram a cultura hippie, movimento que se espalhou pelo mundo. No teatro e cinema a peça Hair é referência dessa tribo. Os rapazes hippies usavam cabelos e barbas compridos. As moças usavam roupas inspiradas em temas étnicos e orientais. Uma tribo contestadora e disruptiva que rejeitava os valores da sociedade conservadora tradicional.
Skinheads

Os cabeças raspadas surgiram no Reino Unido na década de 1960. Era um grupo formado por jovens trabalhadores que usavam cabeça raspada, botas, jeans e suspensórios, um visual ligado à sua classe social. No início, tinham interesse apenas em manifestar sua identidade de grupo. Essencialmente masculino esse grupo se interessava por futebol e afirmação de masculinidade. Com o tempo, os skinheads se fragmentaram em grupos ideologicamente opostos. Alguns à direita, outros à esquerda e até anarquistas. Não é possível associar os skinheads a um espectro político único, mas sim, eram propensos à polarização política.
Punks

O estilo punk surgiu nos Estados Unidos na década de 1970 no meio musical. Ganhou notoriedade com bandas como a americana Ramones e a inglesa Sex Pistols. O visual punk é provocativo e feito para chocar. Roupas rasgadas e grosseiras, cabelos espetados, couro e rebites que sugerem agressividade. Punks rejeitam ideologias estabelecidas, adotam uma postura sarcástica, anárquica e niilista em muitos casos. A música punk é frenética e simplificada para permitir que bandas sem formação acadêmica possam ser formadas em modo faça você mesmo. Uma tribo antissistema, anárquica e irracionalista.
Metaleiros

Também chamados headbangers, balançadores de cabeça, os metaleiros estão associados ao estilo musical Heavy metal e suas variações. Esse estilo pesado e sombrio surgiu na década de 1970 nos Estados Unidos e Inglaterra. Metaleiros são reconhecidos pelas roupas pretas, camisetas de bandas e por cabelos e barbas compridos. Em geral, são especialistas nas bandas que cultuam; defendem o gênero, seguem, prestigiam e colecionam tudo que se refere à sua subcultura. A temática do heavy metal costuma girar em torno de morbidez, agressividade, macabro e transgressão. Ozzy Osbourne da banda Black Sabbath, por exemplo, é conhecido como Príncipe das Trevas. O metaleiro tem preferência musical restrita e critica outros estilos. Por causa disso, costuma passar por chato e tribalista, mas são quase todos inofensivos. A atmosfera pesada do metal funciona como uma catarse e não costuma transbordar para outras áreas da vida.
Góticos

O estilo gótico se refere tanto à arquitetura medieval como à literatura romântica do século XIX que produziu livros como Frankenstein e Drácula. É um estilo contínuo e antigo presente até nas HQs do Batman. Também designa uma subcultura contemporânea surgida no Reino Unido no final da década de 1980. Góticos se interessam por temas sombrios, melancólicos, mórbidos e macabros. Garotas góticas usam maquiagem escura, vestem preto, rendas e coturnos. Góticos visitam cemitérios, gostam de filmes do Tim Burton, são melancólicos, poéticos, existencialistas e entediados. Mais uma tribo sombria.
Emos

O estilo emo surgiu nos Estados Unidos na década de 1980 como gênero musical. Está associado a músicas melancólicas, de preocupação existencial. Angústia, misantropia, sensibilidade aflorada, introversão e vulnerabilidade são características associadas à tribo. Especificamente, os rapazes são vistos como sensíveis e isso se reflete no visual que adotam. Cabelos lisos com franjas sobre os olhos, olhos pintados e roupas pretas são marca registrada do grupo. Devido à masculinidade descontruída dos rapazes os emos sofrem com preconceito e críticas pejorativas.
Hipsters

Essa tribo descolada surgiu na década de 1990 nos Estados Unidos, mas tem antecedentes que remontam à década de 1940. Adotam um estilo vintage e alternativo que rejeita o consumismo, tanto que costumam comprar roupas em brechós. São anti consumo, pacifistas, ambientalistas, adeptos de alimentação orgânica, ouvem música indie e folk. Hipsters gostam de filmes cult, de músicas que poucos conhecem e de comidas exóticas. Buscam se diferenciar para fugir da massificação. Para ser hipster é preciso ser cool e alguns os veem como elitistas e intelectualizados.
Otaku

O termo otaku começou a ser usado no Japão na década de 1980 para se referir a pessoas que se dedicam intensamente ao consumo de animes e mangás, mas também a videogames, tecnologia digital e jogos analógicos. É uma sub cultura que surgiu fora do eixo Estados Unidos – Reino Unido e se espalhou pelo mundo. Os otaku não tem boa reputação no Japão, pois são considerados obcecados e de comportamento antissocial. Essa tribo é dada a participar em fã-clubes que se dedicam a um tema específico, podem fazer cosplay que é se vestir e se comportar como personagens em eventos. Uma tribo que transforma seu interesses por hobbies em forma de pertencimento e identidade.
Wokes

Os wokes não são tratados como tribo urbana, mas se observarmos o comportamento de seus membros mais imersos nessa cultura encontraremos um tribalismo evidente. Wokes são reconhecíveis pelos cabelos pintados em cores não naturais, pelas tatuagens, pelo uso de piercings e pelas roupas extravagantes com logos ideológicos. Wokismo é a radicalização do progressismo. Wokes são engajados em causas sociais, especialmente pelas redes sociais e não se constrangem com as contradições que apresentam. É notável a busca deles por pertencimento e identidade por meio do identarismo. Wokes consideram que raça, gênero, etnia e sexualidade determinam a identidade.
E aí? Sentiu-se identificado com alguma dessas tribos? Comente qual você gosta e qual detesta. De modo geral, tribos urbanas são grupos de jovens em busca de identidade, pertencimento, diferenciação, resistência e provocação. Normalmente, são antissistema e querem se diferenciar pelo visual e pelo comportamento.
- Sombrios: Várias dessas tribos estão no grupo sombrio como punks, emos, metaleiros e góticos.
- Engajados. Outras estão no grupo engajado como skinheads e wokes.
- Alternativos. Temos também o grupo dos alternativos como rockabillies, hippies, hipsters e otaku.
Veja a análise em vídeo:


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